Em cada ponto onde Eva parava, o Amor reaparecia e lhe dizia com um sorriso malandro e confidencial: não irei me separar de você. Vamos juntos.
Desesperada e sem hesitar, ela começou a pensar em como se livrar dele, porque entre o Amor e Eva a luta era mortal e não importava como se vencia e, sim, somente a vitória.
A mulher preparou suas redes e anzóis e, colocando neles iscas de flores e mel dulcíssimo, atraiu o Amor com graciosas piscadas e dirigindo-lhe sorrisos com embriagante ternura entre graves e mimosas palavras, em voz velada pela emoção, e o Amor acudiu voando, alegre, gentil, feliz, confuso e confiante como uma criança, impetuoso e convencido como um adolescente, plácido e sereno como um homem vigoroso.
Então Eva o asfixiou com as próprias mãos.
O Amor não respirava nem se mexia; estava morto. Ao mesmo tempo que se certificada disso, a criminosa sentiu uma dor terrível, estranha, inexplicável, algo como uma onda de sangue que alcançava o seu cérebro e como um anel de ferro que oprimia gradualmente seu peito, asfixiando-a. Compreendeu o que estava acontecendo… O Amor que acreditava ter em seus braços estava lá dentro, em seu próprio coração, e Eva, ao assassiná-lo, tinha matado a si mesma.
Nesse conto de Emilia Pardo Bazán, notada escritora espanhola, podemos perceber o desespero de uma mulher cujo amor é mais forte que tudo e que transpõe a própria morte.
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