quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

É um amor pobre aquele que se pode medir

O amor é imensurável. Vistos de fora, os apaixonados podem parecer encantadores, engraçados ou até mesmo patéticos. Assim como uma pessoa sóbria não compreende as risadas dos bêbados,  é impossível para quem vive às margens das paixões entender o frenesi do coração.
Talvez Os sofrimentos do jovem Werther seja o romance que melhor captou a loucura febril do apaixonado:

      Ah! Que sensação agradável invade todo o meu ser quando, por acaso, meus dedos tocam os seus ou nossos pés se encontram debaixo de uma mesa! Afasto-os como um raio e uma força secreta me aproxima de novo contra minha vontade. A vertigem se apodera de todos os meus sentidos e sua inocência, sua alma cândida, não lhe permitem sequer imaginar o quanto me fazem sofrer essas insignificâncias. Se colocar sua mão sobre a minha enquanto falamos e se, no calor da conversa, você se aproximar tanto de mim que seu divino hálito se confundirá com o meu, acho que morreria, como se fosse ferido por um raio.

O romance de Goethe causou tanto impacto em sua época que a estimativa é de que tenha causado mais de dois mil suicídios entre jovens que equiparavam suas mágoas às do torturado Werther. Por isso o livro chegou a ser proibido em vários países.
Morrer por amor nunca pode ser justificado, mas morrer de amor, sim: significa deixar para trás o que somos para nos reinventarmos, como um novo ser que não teme a incerteza nem os abismos emocionais.







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