A burca e a bunda
"Sim, nós, homens, temos que nos tornar mulheres, cultivar em nós o que há de feminino para amar completamente, como deve ser."
Esta frase do historiador francês Georges Duby, é uma feliz constatação da triste incapacidade masculina de amar plenamente. Não todos! Porém grande parte dos homens não compreendem a forma correta de amar. Acredito que até hoje, nos tempos modernos, o machismo ainda é a grande causa disso.
O homem tem tanto medo do poder feminino que chaga a ser ridículo, provoca risos, mas também perplexidade diante da constatação que os preconceitos são arcaicos e bárbaros, e são expressos, muitas vezes, por grandes mentes. E pior ainda, por mulheres, algumas vezes. O machismo feminino também tem origem no medo, mas é um medo diferente do masculino, mais ligado a um conservadorismo crônico.
Essa sabotagem que muitas mulheres praticam contra si mesmas se dá também quando algumas delas, de grande exposição na mídia, tornam pública a sua burrice, fornecendo aos homens machistas munição para seus ataques à inteligencia feminina. Outras, querem evitar a perturbação no núcleo familiar, mas que na verdade, com isto, perpetuam apenas a servidão feminina.
O grande ícone contemporâneo da opressão feminina, o véu e a burca, que as mulheres são forçadas a usar, em alguns países muçulmanos, têm a finalidade, segundo a escritora egípcia Aafaf Assaid, de "tornar a mulher um ser marginal e resignado, seu uso demonstrando submissão intelectual e corporal da mulher na sociedade islâmica". Isso sem mencionar a barbárie da circuncisão feminina em alguns países da Africa.
No Brasil, o machismo, tanto quanto o racismo é "cordial" porque ele parece condescendente com o objeto desprezado, diferente da declarada aversão à mulher que se vê nos países de cultura puritana. Mas no nosso país de belas praias, sol intenso e alta voltagem erótica, as partes do corpo da mulher, em vez de escondidas, são expostas e veneradas, assim como suas donas que são elevadas à musas.
O que ninguém percebe é que alguns dos piores machistas são exatamente os que dizem amar apaixonadamente as mulheres, aqueles que com seu discurso baboso e galanteador, enaltecem as meras qualidades sensuais, reduzindo-as a meros objetos de prazer, a corpos gostosos, vazios de alma, sentimentos, inteligencia e vontade. Portanto, somos todas dóceis, submissas e passivas.
A ocultação ou superexposição do corpo da mulher, a burca e a bunda: duas faces da mesma moeda do recorrente machismo.
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